3# BRASIL 29.10.14

     3#1 YOUSSEF: O PLANALTO SABIA DE TUDO!
     DELEGADO: QUEM DO PLANALTO?
     YOUSSEF: LULA E DILMA
     3#2 A DCADA DOS ESCNDALOS

3#1 YOUSSEF: O PLANALTO SABIA DE TUDO!
DELEGADO: QUEM DO PLANALTO?
YOUSSEF: LULA E DILMA

O doleiro Alberto Youssef afirma em depoimento  Polcia Federal que o ex e a atual presidente da Repblica no s conheciam como tambm usavam o esquema de corrupo na Petrobras.
ROBSON BONIN

A Carta ao Leitor desta edio termina com uma observao altamente relevante a respeito do dever jornalstico de publicar a reportagem a seguir s vsperas da votao em segundo turno das eleies presidenciais: "Basta imaginar a temeridade que seria no public-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever". VEJA no publica reportagens com a inteno de diminuir ou aumentar as chances de vitria desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informao de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, no escolhem o momento para acontecer. Os episdios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delao premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef viro a pblico em seu trajeto na Justia rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu s autoridades ter provas. S ento se poder ter certeza jurdica de que as pessoas acusadas so ou no culpadas. 

     Na ltima tera-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatrios da Polcia Federal em Curitiba  para prestar mais um depoimento em seu processo de delao premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braos sobre a mesa, olhou para a cmera posicionada  sua frente e se ps  disposio das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhes de reais. A temporada na cadeia produziu mudanas profundas em Youssef. Encarcerado desde maro, o doleiro est bem mais magro, tem o rosto plido, a cabea raspada e no cultiva mais a barba. O estado de esprito tambm  outro. Antes afeito s sombras e ao silncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma dcada os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens  trama criminosa, que agora atinge o topo da Repblica. 
     Comparsa de Youssef na pilhagem da maior empresa brasileira, o ex-diretor Paulo Roberto Costa j declarara aos policiais e procuradores que nos governos do PT a estatal foi usada para financiar as campanhas do partido e comprar a fidelidade de legendas aliadas. Parte da lista de corrompidos j veio a pblico. Faltava clarear o lado dos corruptores. Na tera-feira, Youssef apresentou o ponto at agora mais "estarrecedor"  para usar uma expresso cara  presidente Dilma Rousseff  de sua delao premiada. Perguntado sobre o nvel de comprometimento de autoridades no esquema de corrupo na Petrobras, o doleiro foi taxativo: 
      O Planalto sabia de tudo! 
      Mas quem no Planalto?  perguntou o delegado. 
      Lula e Dilma  respondeu o doleiro. 
     Para conseguir os benefcios de um acordo de delao premiada, o criminoso atrai para si o nus da prova.  de seu interesse, portanto, que no falsifique os fatos. Essa  a regra que Youssef aceitou. O doleiro no apresentou  e nem lhe foram pedidas  provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados  ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades. Ou seja, querem estar certos de que no lidam com um fabulador ou algum interessado apenas em ganhar tempo fornecendo pistas falsas e fazendo acusaes ao lu. Youssef est se saindo bem e, a exemplo do que se passou com Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, tudo indica que seu processo de delao premiada ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o nmero de polticos e autoridades que se valiam da corrupo na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais. Aos investigadores, Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom portugus, das operaes de lavagem de dinheiro sujo obtido em transaes tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem. 
     Uma vez feito o acordo, Youssef ter de entregar o que prometeu na fase atual da investigao. Ele j contou que pagava em nome do PT mesadas de 100.000 a 150.000 reais a parlamentares aliados ao partido no Congresso. Citou nominalmente a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, a quem ele teria repassado 1 milho de reais em 2010. Youssef disse que o dinheiro foi entregue em um shopping de Curitiba. A senadora negou ter sido beneficiada. 
     Entre as muitas outras histrias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posio do doleiro no esquema  e, consequentemente, sua relevncia para a investigao , esto lembranas de discusses telefnicas entre Lula e o ex-deputado Jos Janene,  poca lder do PP, sobre a nomeao de operadores do partido para cargos estratgicos do governo. Youssef relatou um episdio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo ento presidente da Petrobras, Srgio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaava explodir o esquema de corrupo na estatal. A empresa queixava-se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos polticos, tivera seu contrato rescindido. Homem da confiana de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milho de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolo a fim de comprar o silncio da empresa de publicidade. E assim foi feito. 
     Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma  uma prova de que ela estava conivente com as lambanas da turma da estatal? Obviamente, no se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. No  disso que se trata. Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condies de obter provas do que afirmou a respeito de a operao no poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma  seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operaes de cmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto. 
     Os policiais esto impressionados com a fartura de detalhes narrados por Youssef com base, por enquanto, em sua memria. "O Vaccari est enterrado, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o doleiro j narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, Joo Vaccari Neto. O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transaes simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari. O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos esto guardadas em um arquivo com mais de 10.000 notas fiscais que sero apresentadas por ele como evidncias. Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, est a prova de uma das revelaes mais extraordinrias prometidas por ele, sobre a qual j falou aos investigadores: o nmero das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em parasos fiscais. Youssef se comprometeu a ajudar a PF a localizar as datas e os valores das operaes que teria feito por instruo da cpula do PT. 
     Depois da homologao da delao premiada, que parece assegurada pelo que ele disse at a semana passada, Youssef ter de apresentar  Justia mais do que verses de episdios pblicos envolvendo a presidente. Pela posio-chave de Youssef no esquema, os investigadores esto confiantes em que ele produzir as provas necessrias para a investigao prosseguir. Na semana que vem, Alberto Youssef ter a oportunidade de relatar um episdio ocorrido em maro deste ano, poucos dias antes de ser preso. Youssef dir que um integrante da coordenao da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de "Felipe" lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhes de reais que seriam usados na campanha presidencial de Dilma Rousseff. Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hspede da Polcia Federal em Curitiba. Procurados, os defensores do doleiro no quiseram comentar as revelaes de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justia. Pelo que j contou e pelo que promete ainda entregar aos investigadores, Youssef est materializando sua ameaa velada feita dias atrs de que iria "chocar o pas".

ELE SABIA - Alberto Youssef reproduziu uma conversa que ouviu entre Lula e o ex-deputado Jos Janene na qual fica claro que o ex-presidente sabia dos esquemas montados pelo aliado e seu partido, o PP, para desviar dinheiro pblico.

OUTRO LADO - Dilma j reconheceu que houve desvios na Petrobras, mas afirma que foi ela quem comeou a desarmar a quadrilha ao demitir o ex-diretor Paulo Roberto Costa, afastado da estatal em 2012.

DINHEIRO PARA O PT - Alberto Youssef tambm voltou a detalhar os negcios que mantinha com o tesoureiro nacional do PT, Joo Vaccari Neto, homem forte da campanha de Dilma e conselheira da Itaipu Binacional. Alm de tratar dos interesses partidrios com o dirigente petista, o doleiro confirmou aos investigadores ter feito pelo menos duas grandes transferncias de recursos a Vaccari. O dinheiro, de acordo com o relato, foi repassado a partir de uma simulao de negcios entre grandes companhias e uma empresa-fantasma registrada em nome de laranjas mas criada pelo prprio Vaccari para ocultar as operaes. Ele nega.

ENTREGA NO SHOPPING - Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milho de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba. Intermedirios enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes. Em nota, a senadora disse que no recebeu nenhuma doao de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef. 

ELE TAMBM SABIA - Durante o segundo mandato de Lula, o doleiro contou que foi chamado pelo presidente da Petrobras, Jos Srgio Gabrielli, para tratar de um assunto que preocupava o Planalto. Uma das empresas com contratos de publicidade na estatal ameaava revelar o esquema de cobrana de pedgio. Motivo: depois de pagar propina antecipadamente, a empresa teve seu contrato rescindido. Ameaado pelo proprietrio, Gabrielli pediu ao doleiro que captasse 1 milho de reais com as empreiteiras do esquema e devolvesse a quantia  empresa de publicidade. Gabrielli no quis se pronunciar.

CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR - Desde que Duda Mendona, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002, admitiu na CPI dos Correios ter recebido pagamentos de campanha no exterior (10 milhes de dlares), pairam sobre o partido suspeitas concretas da existncia de dinheiro escondido em parasos fiscais. Para os interrogadores de Alberto Youssef, no entanto, essas dvidas esto comeando a se transformar em certeza. O doleiro no apenas confirmou a existncia das contas do PT no exterior como se diz capaz de ajudar a identific-las, fornecendo detalhes de operaes realizadas, o nmero e a localizao de algumas delas. 

UM PERSONAGEM AINDA OCULTO - O doleiro narrou a um interlocutor que seu esquema criminoso por pouco no atuou na campanha presidencial deste ano. Nos primeiros dias de maro, Youssef recebeu a ligao de um homem, identificado por ele apenas como "Felipe", integrante da cpula de campanha do PT. Ele queria os servios de Youssef para repatriar 20 milhes de reais que seriam usados no caixa eleitoral. Youssef disse que chegou a marcar uma segunda conversa para tratar da operao, mas o negcio no foi adiante porque ele foi preso dias depois. Esse trecho ainda no foi formalizado s autoridades. 

O CRCULO VAI SE FECHANDO
A Polcia Federal investigava uma quadrilha especializada em movimentar dinheiro ilcito e acabou puxando o fio da meada daquele que se apresenta como o maior escndalo de corrupo da histria.

2004
Paulo Roberto Costa  nomeado pelo ex-presidente Lula para o cargo de diretor de Abastecimento da Petrobras.

2012
No governo Dilma Rousseff, Paulo Roberto deixa a diretoria de Abastecimento.

2014
Maro - A Operao Lava-Jato prende o doleiro Alberto Youssef e descobre ligaes dele com Paulo Roberto, que tambm  preso. Documentos apreendidos revelam que o ex-diretor recolhia propina junto s empreiteiras que prestavam servios  Petrobras. Youssef era o encarregado de pagar propina a polticos.
Abril - Descobre-se que o deputado Andr Vargas (PT), vice-presidente da Cmara, ganhou de presente do doleiro o aluguel de um jatinho.
Maio - So encontrados depsitos de dinheiro para vrios polticos, entre eles o senador Fernando Collor e boa parte da bancada do PR partido que apoia o governo.
Agosto - O ex-diretor assina acordo de delao premiada, confessa seus crimes e envolve no caso o presidente do Congresso, deputados, senadores, governadores e ministros - mais de trinta polticos. Revelou tambm que as empreiteiras pagavam 3% do valor dos contratos com a Petrobras ao PT, ao PMDB e ao PP. E disse que, em 2010, recebeu um pedido de dinheiro de Antonio Palocci, coordenador da campanha de Dilma Rousseff.
Setembro - O doleiro Youssef tambm se dispe a contar o que sabe  Justia. Suas primeiras revelaes atingem a campanha presidencial do PT em 2010 e, agora, diretamente o ex-presidente Lula e a presidente Dilma.

QUEM DELATA PODE MENTIR?
     A delao premiada tem uma regra de ouro: quem a pleiteia no pode mentir. Se, em qualquer momento, ficar provado que o delator no contou a verdade, os benefcios que recebeu como parte do acordo, como a liberdade provisria, so imediatamente suspensos e ele fica sujeito a ter sua pena de priso aumentada em at quatro anos. 
     Para ter validade, a delao premiada precisa ser combinada com o Ministrio Pblico e homologada pela Justia. O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo com o MP no fim de setembro. Desde ento, vem dando depoimentos dirios aos procuradores que investigam o caso Petrobras. Se suas informaes forem consideradas relevantes e consistentes, a Justia - nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, j que o doleiro mencionou polticos - homologar o acordo e Youssef ser posto em liberdade, como j ocorreu com outro delator envolvido no mesmo caso, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobras deu detalhes ao Ministrio Pblico e  Polcia Federal sobre o funcionamento do esquema milionrio de pagamento de propinas que funcionava na estatal e beneficiava polticos de partidos da base aliada do governo. Ele j deixou a cadeia e aguarda o julgamento em liberdade. O doleiro continua preso. 
     At o ano passado, a lei brasileira previa que o delator s poderia usufruir os benefcios do acordo de delao ao fim do processo com o qual havia colaborado - e se o juiz assim decidisse. Ou seja, apenas depois que aqueles que ele tivesse incriminado fossem julgados  que a Justia resolveria se o delator mereceria ganhar a liberdade. Desde agosto de 2013, no entanto, esses benefcios passaram a valer imediatamente depois da homologao do acordo. "Foi uma forma de estimular a prtica. Voc deixa de punir o peixe pequeno para pegar o grande", diz o promotor Arthur Lemos Jnior, que participou da elaborao da nova lei. 
     Mais famoso  e prolfero  delator da histria recente, o mafioso Tommaso Buscetta levou  cadeia cerca de 300 comparsas. Preso no Brasil em 1983, fechou acordo com a Justia italiana e foi pea-chave na Operao Mos Limpas, responsvel pelo desmonte da mfia siciliana. Depois disso, conseguiu proteo para ele e a famlia e viveu livre nos Estados Unidos at sua morte, em 2000.
ALEXANDRE HISAYA

AT A MFIA FALOU - Tommaso Buscetta, o primeiro mafioso a fazer delao premiada. Na Siclia, seu sobrenome virou xingamento.


3#2 A DCADA DOS ESCNDALOS
Uma marca deletria: nos doze anos de governo do PT, houve quase um grande escndalo por ano. Em comum entre eles, poder, dinheiro e corrupo.
ROBSON BONIN

     O combate  corrupo foi um dos pilares mais slidos do discurso que levou o Partido dos Trabalhadores ao triunfo eleitoral em 2002. Com a posse do presidente Lula, em 2003, o apuro tico, a intolerncia ao mau uso do dinheiro pblico e o zelo pela boa governana se revelaram uma questo secundria. O primeiro escndalo no tardou a surgir. Em 2004, uma gravao de vdeo mostrou Waldomiro Diniz, assessor do ento poderoso ministro-chefe da Casa Civil, Jos Dirceu, pedindo propina ao bicheiro Carlos Cachoeira para ele e para o PT. Foi o primeiro de uma srie que parece no ter fim. Em doze anos de poder, o governo esteve no epicentro de casos rumorosos que visitaram a antessala do gabinete presidencial de Lula e de Dilma Rousseff. Do mensalo articulado para subornar o Congresso, num processo que tentou subverter as instituies democrticas do pas, ao caso da chefe de gabinete que era amiga pessoal de Lula e usava essa intimidade para se locupletar, os petistas ampliaram em nveis inimaginveis a capacidade de superao no quesito corrupo. Integrantes do partido foram surpreendidos em negcios com faces do crime organizado, com doleiros, com empresrios acostumados a desfalcar os cofres pblicos  at chegar ao monumental envolvimento direto no escndalo da Petrobras. Dinheiro na cueca, dinheiro em malas, dinheiro em avies, dinheiro em quartos de hotel. 1%, 3%, 10%, 15% de propina. Doze anos depois, a corrupo  uma das marcas indelveis do governo petista. 

2004 - 1% pra mim 
Subchefe de Assuntos Parlamentares do Planalto no primeiro governo Lula, Waldomiro Diniz foi filmado pedindo propina ao bicheiro Carlos Cachoeira para o PT (150.000 reais) e para si prprio (1%). Assessor direto do ex-ministro Jos Dirceu, Waldomiro, que confessou ter recebido o dinheiro e repassado parte dele s campanhas do PT, perdeu o cargo, mas no o status. Como a maioria dos colegas pilhados, ele passou a trabalhar como consultor. 

2005 - O mensalo 
VEJA revelou em 2005 as imagens de um vdeo no qual um ex-chefe de departamento dos Correios aparece recebendo propina. Maurcio Marinho confessa na gravao que agia sob as ordens do ento deputado Roberto Jefferson. Os eventos desencadeados a partir da divulgao das cenas instaram o parlamentar a revelar a existncia do mensalo, esquema de desvio de dinheiro pblico que levou os principais dirigentes do PT  priso. 

2006 - Os aloprados 
Na vspera da campanha presidencial, a Polcia Federal prendeu dois petistas em um hotel de So Paulo que se preparavam para comprar um falso dossi para comprometer os tucanos Geraldo Alckmin, ento candidato a presidente, e Jos Serra, que disputava o governo de So Paulo. Eles tinham uma mala com 1,7 milho de reais para fechar o negcio. No se sabe at hoje a  origem do dinheiro apreendido com os petistas.  

2007  Espionagem
Atuando com o aval do governo, o delegado da Polcia Federal Protgenes Queiroz recrutou um grupo de espies da Agncia Brasileira de Inteligncia (Abin) para cumprir a misso de investigar o banqueiro Daniel Dantas. Descobriu-se depois que os arapongas tambm vigiaram desafetos do governo, inclusive interceptando clandestinamente a comunicao de autoridades. 

2008  O dossi
Na carona das denncias de que ministros do governo Lula usavam carto corporativo para pagar extravagncias pessoais, um grupo de assessores da Casa Civil,  poca comandada por Dilma Rousseff, elaborou um dossi com os gastos realizados pelo ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa. O material foi distribudo de maneira apcrifa pelo governo para tentar intimidar o trabalho da oposio no Congresso.

2009 - Aos amigos
A ex-secretria da Receita Federal Lina Vieira revelou que, enquanto comandava o rgo, foi pressionada pela ento chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a concluir uma investigao sobre a famlia do senador Jos Sarney, o que foi interpretado como uma orientao para encerrar o trabalho. Lina disse que chegou a ser chamada ao Planalto para tratar do assunto.

2010  Sucesso
Reportagem de VEJA revelou a existncia de um verdadeiro balco familiar de negociatas funcionando no corao do governo, a Casa Civil, sob a tutela da ento ministra Erenice Guerra, brao-direito da ento candidata a presidente Dilma Rousseff. Israel Guerra, filho de Erenice, e seus scios usavam a influncia da ministra para favorecer empresrios em troca de uma certa "taxa de sucesso".

2011 - Corrupo
Seis ministros foram demitidos por suspeitas de corrupo. Carlos Lupi, que comandava a pasta do Trabalho, perdeu o emprego depois que se descobriu que ele viajava o Brasil nas asas de um empresrio que recebia dinheiro do ministrio e no prestava o servio correspondente. Seus correligionrios tambm extorquiam ONGs.

2012 - Caixa dois 
Para tentar empastelar o julgamento dos mensaleiros, que tinha Joaquim Barbosa como relator, a cpula do PT lanou uma ofensiva para intimidar ministros do Supremo Tribunal Federal, o Ministrio Pblico e a imprensa. Criou-se uma CPI para perseguir os adversrios, que acabou desvendando um esquema de corrupo que envolvia polticos e uma empreiteira prestadora de servios ao governo. 

2013 - O caso Rose 
Amiga pessoal do ex-presidente Lula, a ex-secretria Rosemary Noronha foi surpreendida pela Polcia Federal traficando interesses em pleno gabinete da Presidncia da Repblica em So Paulo. Ela, porm, era mais que uma simples servidora corrupta. Integrava as comitivas de viagem, hospedava-se nos melhores hotis e gozava de privilgios inatingveis a um funcionrio comum. 

2014 - Petrobras 
Ao investigar um caso envolvendo doleiros, a Polcia Federal acabou descobrindo a existncia do que j se anuncia o maior escndalo de corrupo da histria. Algumas das maiores empreiteiras do pas, organizadas em um cartel, decidiam que obras executar na Petrobras e at quanto pagar de propina a partidos e polticos influentes da Repblica 


